Conselho Federal de Medicina planeja bloquear registro de 13 mil formandos com desempenho insatisfatório no Enamed

Compartilhe

Uma polêmica se desenha no cenário da medicina brasileira: o Conselho Federal de Medicina (CFM) está considerando barrar a emissão de registros profissionais para cerca de 13 mil estudantes que não atingiram a nota mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Essa medida drástica visa proteger a saúde da população, diante de um desempenho alarmante revelado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep.

Os números são preocupantes: três em cada dez alunos que se aproximam da formatura apresentaram resultados críticos ou insuficientes. Dos 39.256 concluintes que participaram do exame, 13.871 estão em faculdades com notas entre 1 e 2, consideradas abaixo do padrão aceitável. Caso a resolução do CFM seja aprovada, esses profissionais não poderão atender pacientes, uma vez que não obterão o número do CRM.

O presidente do CFM, José Hiran Gallo, expressou sua preocupação com essa realidade, afirmando que esses graduados não possuem as competências mínimas necessárias para exercer a medicina. A situação é classificada como “assustadora”, colocando em risco a segurança de milhões de brasileiros. O conselho defende que apenas cursos com nota mínima 4 deveriam ter a autorização para formar médicos plenamente capacitados.

Além disso, os dados mostram uma disparidade significativa entre o ensino público e privado. Das 24 faculdades que obtiveram nota 1, 17 são particulares, enquanto 72 das 83 instituições com conceito 2 também pertencem à rede privada. Com São Paulo liderando o ranking negativo, a disputa jurídica sobre essa questão promete ser acirrada, uma vez que a diplomação em cursos reconhecidos pelo MEC garante o direito ao registro. O CFM ainda pressiona o Congresso Nacional para a aprovação de um novo exame que possa regulamentar a profissão de forma mais rigorosa.

Fonte: JM Online

Reprodução/ CFM